"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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21 de jul. de 2010

DE MIM


DE MIM

Momentos blues
morfinadas retinas
não desatinam o passado
os belos anos flor

descontrolo pensamento
fatos slowmotion
um passo, outro passo
traço desconecta, finda
outro traço fica
o real, a verdade
a que ponto chegamos?

a viagem de volta
sem a plugada paixão
coberta de razão
horas passam
desacelera amor
Último minuto chegando
Como? Quando...sem aspas


Recuerdos
tolos
assim vai o tesão
em petit-pois

Até o ponto
Final
Qual?
Se você tirou
minha vida
o meu vestido...
petit-pois
Recuerdos.

Cíntia Thomé









.....

5 de fev. de 2010

REDESCUBRA


Redescubra o teu lugar
Andarilho perdido
Olhar exausto em mim
Coma as cerejas que ainda são vermelhas
O sangue escorrerá da tua boca
Lambidas ainda frescas
Nas noites e manhãs
Onde a carne precisa, necessita
Das peles em flor, todos os lábios
Redescubra teu lugar
Nas grutas, entre as pernas
Nos sons que te torturam
Acordado fica a chorar
Por teu sonho, sono,sonâmbulo
Desvaira, enlouqueça
Mas não sem abraços
O laço das querências
Das verdadeiras veias
De teu caminho
Com amor
Como homem



Cíntia Thomé




@Direitos Autorais

Imagem de Cíntia Thomé

28 de jan. de 2010

MARIA BETHÂNIA

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MARIA BETHANIA



O mar foi minha primeira viagem
O caminho dos sonhos ouvidos
De mergulhar, mergulhar
Banho divino da sereia azul
Rainha que abraça e laça
Castelos construídos e dissolvidos
Com o tempo... com o tempo

Suas ondas o colar cristalino
Elos eu criei, com meus olhos
A cor esmeralda das lantejoulas
Sol e água
Pérolas cobriram meu dorso
No peito medalhas e moedas
Sorte e riquezas navegantes
Ao longo do tempo... do tempo

Sapatos eu criei com meus passos
Dancei!Saltei! Vibrei!
Joguei todo tempo distante
Todo tempo... com o tempo
Para escolher meu destino
Em estrelas do mar do asfalto
Areia movediça eu vislumbrei

Esse mar da vida
Onde o rei é neon e cimento
Escultura fria, urbana tamanha
E seus andantes tristonhos
Horrendos!Enfadonhos!
Nua em pelo azul ainda fiquei
Coberta pela Rainha sereia
Protetora da mulher mareante
Todo o tempo...estrela todo o tempo

Ah Mulher marejada, sagrada Mãe
Que luta! Que sonha! Que ama!
Jogando nesse mundo, nesse chão
conchas e pão
Fitas de cetim e rosas mortas
Sobre os seios abrindo sua blusa
Oferendas de seu próprio amor coração
O amor próprio como pérolas
No caos, nos canais e cais dos portos
Ao sopro da melodia do vento
Todo o tempo...todo tempo

A lembrança solta do mar
A Rainha do mar que canta
Em suas sandálias de sal
Os sublimes grãos de areia
Do tempo menino... Azul todo tempo


Cíntia Thomé




























Imagem: Google

30 de dez. de 2009

VISITA INESPERADA AMOR...





VISITA INESPERADA
Cíntia Thomé


Sinto-o novo mas és tão velho
No deserto de minha alma
Não o vejo alguns meses
Já um ano, muitos anos...
Talvez nunca o senti tão perfeito
nas raízes tamanhas
Como chama tamanha
Com calor, com clamor
Como flor
que insiste em sobreviver
No peito que ainda dói
cresce ...cresce !
E ainda sinto
Que és o enfeite
faz-me amar a vida
foi uma visita inesperada
de um passado que não havia lama
mas pura terra e chama,
És flor que ainda me acompanha
semente cíclica
pois o rego com o ontem
como aquela visita que me faltava
inesperada...
Aparição além do meu peito
Outra vez
inesperada...


Cíntia Thomé









felizdez



@Direitos Registrados




Imagem: autoria Cíntia Thomé

22 de nov. de 2009

AQUELA PORTA




AQUELA PORTA (Cíntia Thomé)


Chaves vão ao chão
escorregam na desilusão
Escorrem estilhaços
Machucada porta
A chuva chora amiúde
lá fora, lá fora
a pureza perdeu-se
sem perdão
em desgraça, desgraça
sem graça
sem poder
de segurar o ranger
Trancar esse coração


Cíntia Thomé







Imagem Bruno Silva - Site Olhares - Divulgação

15 de out. de 2009

BLUE



BLUE


Quando havia fechado todos os livros
Todas as janelas
Todas as estórias
Todos os atos
Insanos e sãos
Todas as cortinas
E em exaustão no palco
Ribalta adormecida
Uma luz blue
fez-me viva
Brilhei com os dentes em purpurina
Prata... estrelas de ouro
Sim, ouro... esta dei da casa!
Vinho carmim para matar a sede
O sangue jorrou desse coração
Uma cascata reapareceu
Espumante brindando, amando!
Esse forasteiro viajante de volta
Surgiram flores, camélias nos cabelos
Emanando o cheiro de Amor
Em cada gesto, salto, em cada passo de dança
Mas alguém ofuscada infeliz
gritava que não
E assim se fez o fim
ultima dança
No camarim, em lágrimas
Murchava, desvanecia
Estrela morta
Descabelada revolta
Ribalta anoitecia
Em perfume Blue
Gardênia



Cíntia Thomé




















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12 de out. de 2009

cara coroa








...Se tuas mãos são minha casa
e teu olhar é o meu destino
se teu corpo é meu alento
e teu ar da minha vela é vento
para quê ainda existo à parte
se em teu ser sou simples arte
mera consequência dos teus atos
versos meus nada revelam
se meus gestos nem me são inatos
e meus lábios silenciosos selam
a jura eterna e condescendente
que sopro aliviada entre os dentes
inflorescências olhos meus são tua luz
cega na escuridão plena procuro
entre nós existe um alto muro
que em nada a nós dois separa
eu sou coroa tua
e tu és minha cara...



(retalhos)


Cíntia Thomé





A poetisa da lavra viva

Quando conheci a Cintia Thomé em Sampa das garoas quentes, do lado esquerdo de dentro do Buca Del Pazzio, parecia uma fêmea assustada com os valores melancólicos dos amores e canções de toda humanidade, e a química brotou espontaneamente na paralela dos verbos.

Um par de olhos de folha verde com a seiva avisando o imprevisível que tomaria conta das nossas vontades. Pensávamos e pretendíamos que perdurassem anos e assim foi em cordões invisíveis. Amores partem na mesma intensidade que chegam a forma de estrelas cadentes.

Jamais saberíamos das nossas fragilidades e todo toque era inusitado. Os nossos desejos não eram indiferentes a nossa vontade, formando diálogos no abrir e fechar dos olhos verdes de folha minha. Uma mão por cima da outra seria capaz de soldar os corações pulsantes por uma eternidade.

Em cada pingo de solda um verso na quadra da lua! A antropofagia que intuía nossos corpos nos fez singular, frágeis, sedentos na completude do amor. A sua fala coloquial tomava o contorno feiticeiro dos grandes mestres da poesia e o tempo foi ao infinito… E permanece em mim.

Olympio de Azevedo
Jornalista













Imagem: Olhares - A. Hernandez

29 de ago. de 2009

IMAGINÁRIA





IMAGINÁRIA

Não há de esmorecer a rosa
Que curva sonolenta e acata
Destino dos ruins, malevolência
Com o ímpeto de chegar a mão
Do cavaleiro elegante errante
Não há de vir
Olhar a florescência minguando
Despencando suas asas pétalas
Esfarfalhada a farfalhar em choro
Há sim de chegar o dia do arrebatamento
De ouvir as sinetas ao longe
No minuto de silêncio e consentimento
Servir-se da beleza enfeitada
E ouvir o anuir na manhã
Escaldada, perfumada, radiante
Cheirar o lírio da negra lapela
E deixar cair em botão
A rosa She de Charles Aznavour
Que escarmenta e delira
Presença do carecido beijo derradeiro
Sem que machuque a tez
Cansada, fatigada quase apétala
Maquiada pelo sorriso, redesenhada
Da comparecência, chegada
O cavaleiro dos tempos longínquos
Sem armaduras e sisuda face
Tocando suave mão
Nas cordas da lira dos anjos
Anunciando tempos libertos
sem balelas e sequelas
Apresentando-se em querência
em pelo nu
Sem malícias aparvalhadas
Sem cruel ato de ir-se
arrastando aroma
De morta flor, abate
imaginária princesa
uma angema




cintia thome






Existe um híbrido das Rosas Na França
que se chama Charles Aznavour.(click)




....

VIGÍLIA








Traga sua vigília
Pro meu sonho
Não ser banal
O seu sorriso
Coloque-me
Aos ventos quentes
Aos raios vermelhos
Sem frestas
De seu corpo noturno
Que me abraça
Que me aquece pequena
Diante
do rei




cíntia thomé













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9 de mai. de 2009

BENDITO FRUTO


Mãe
Filho
Um funil
Útero
Leite dos seios
Sagrada Mãe
Bendito fruto
Maçã
Filho
Copo da Vida
Festejo
Graça
Copo de Leite
Mãos doadas
Cordão
Filho e Mãe

Transborda sempre
Noite
e Dia
Copo
Leite
E Nescau


cintia thome








mães de maio

8 de mai. de 2009

PIÑACOLADA PELES COLADAS


PIÑACOLADA PELES COLADAS

Na taça dos desejos
Piñacolada
Bloody Mary goteja
Cheiro hortelã
Seio na fragilidade

O cálice canta
Com seus dedos
Estilhaça
Meu olho de vidro
Corta Mary

E sua boca
Junta lambe
suores cristalinos
Esquenta bloody
Conhaque
em brasa vermelha
Sorvemos

Peles coladas
pimentas
Delírios em rum
Do inverno
De nossos anos
Hortelãs


cintia thome











.


rascunho...

25 de abr. de 2009

Quando Cíntia Chorou I

.




"...quem sabe, Nietzsche não tivesse chorado tanto
se tivesse conhecido você desde os tempos já tão idos como eu.Você é gloriosa. É o bem entre o mal, se eu não houvesse optado por uma vida livre com certeza eu me chamaria Mário Thomé E não este tão sem graça nome que carrego. A minha admiração por você é além da carne e desse chão, ultrapassa qualquer palavra a não ser a palavra Deus. De coração te amo.
Amsterdam, 07/04/2009
Mário P.








trecho de uma longa carta de um amigo querido,depois de ler meu livro Olhos... e o rascunho do meu próximo livro, Escritor,que hoje mora longe de mim, que conheço dos anos da Casper e de São Paulo, época das felicidades guardadas. Infelizmente não posso dizer o nome, pois a carta foi pra mim, mas só aqui coloco seus dizeres pra eu me sentir feliz e bem e não esquecer de palavras de quem gosta de fazer uma amizade crescer a cada dia e sempre saudade.
Chorei e muito
obrigado Mário...






Imagem: Altavsta

24 de abr. de 2009

Heras ... Eras


Faço um mapa, direção
Trilhas, sulcos
com mãos de buril
Picadas, veios, aluvião
Edificações de seixos
Mato, lírios do campo
Um vaso de barro
Sobre a janela
Na casa rosada
se heras
Circundando
Fora de mim

Um pé de maracujá
No telhado do gato
Uma manjerona doce
Uma desgastada soleira
Desenho asas, invasores
Pássaros ciscando pão
sem perfume das heras
Pois já eras

A beira do rio
Salpico lágrimas,
Uma chuva sem dó
Sem ver como dantes
Refletidas heras e cipós
Meus Narcisos
ou Infantes
Morando
Dentro de mim












imagem: NãosouEuéaOutra- Olhares

13 de abr. de 2009

rompante


Roubei das águas
a renda de espumas
Mudei trilhas caminhos
Bordei estrelas do mar
Em vestes
- pérolas miúdas
Num mar de rosas
Mergulhei fundo
Nesse amor
Imergi nua
Na avenida imunda
Pérola
Aos porcos



cintia thome











.

3 de abr. de 2009

valsa


Ah! Que delícia é a vida
É a vida, é a vida, vida...
Com você, esse amor descuidado
Esse amor doce, salgado
Bem no ato, beijos doados
Estrelas em pétalas correm
Como raios elétricos
em nossas peles e pelo chão

Ah! Que delícia é a vida
Que delícia te amar, meu bem
Meu amor
Na dança que fazes eu gingar
Sem passado e descompasso
Nesse lugar, nesse salão

Ah! Que delícia é a vida
O vai e vem
nossos rostos colados
Nossos olhos entrelaçados
minhas transparências ardem
Ah! Que delícia esse sonho
Você é meu, sou tua
Na cadência mais bonita, bonita

Ah! Que delícia ser mulher
Machucando teu coração
Nossos corpos suados, cansados
entre lírios e acácias
Na valsa do tanto querer
De tanto amar

Ah! Que delícia é a vida
Com você, esse amor
Que me ensina e me ensina
Que tudo pode ainda valer
Que delícia é a vida
É a vida, é a vida... Vida!



cintia thome













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Imagem: NãoSouEuéaOutra A. Hernandez
Imagem: Filme - Perfume de Mulher

16 de mar. de 2009

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LIMITE
23/02/2009


Empurraram-me pra fora
Seguistes o caminho afora
Na velocidade
Sentastes na poeira lunática
E esperastes a volta
Carregado pelos cabelos
Forçado pela bipolaridade
Entre o bem e o mal
Era só o bem, eu sabia
Os limites sufocaram
A bondade em teu adeus,tua ida
Um boneco de pano, menino
Eras leve, fácil joguete
Uma bola, peteca, pateta
Um foguete azul
Estrela embaçada in vitro
No para brisa, um pingo
Um fogo de vela
Extinguiu-se aqui
O caminho é feroz
Chorei lá fora na demora
Entre as pedras do meu rosto
Que vertiam água nos trilhos
Um rio implacável, atroz
E o raio de Luz
Era a roda do tempo
Minguando nossa verdade
A rosa dos ventos
Perdida na saudade
Ainda tão
Veloz


cintia thomé











SOM DO OLHAR
23/02/2009


No olhar sou outra
No meu olhar és um pássaro
Nos olhos de folha voas
E aqui as folhas caem
Pranto
Ouça...

Cíntia Thomé


2008














PRIMEIRO AMOR
‘ tão intenso, meu primeiro amor
tão meu, tão meu, tão meu
fogo que flameja o coração
ardo, ardo de intenso amor
sou-me, sou-me, sou-me
em ti, completa
flor do meu primeiro amor
Primavera de mim, amante profeta
teu beijo, lamina-me aquele Inverno…
foi na tua folha que o amor me veio ‘

Autoria: NãoSouEuéaOutra



__




















.Imagem - Olhar de Cíntia(fragmento-detalhe) por A. Hernandez - Portugal - NãoSouEuéaOutra
Imagem - NãoSouEuéaOutra

12 de mar. de 2009

URBANÓIDES



Os girassóis nas ruas dançam
We go together
Urbanóides correm,
Cegos atropelam-se
Os girassóis dançam
Ardor de um beijo no chão
Borro com vermelho batom
Lambidos lábios, a paixão
Faço cara de paisagem
Salto 12, babados e saias
Liga negra corre volúpias
Andantes pensam sem nexo
Nos hotéis, em anexos, negócios
Enforcadas gravatas
Sem sexo na língua, tesão
Alcalóides, debilóides
Neon pisca no rosto solidão
A boca sangra contramão
Espera da number one
a ser seu par
We go together
girassóis dançam
We go together
girassóis dançam
Em faixas neon
Batom
We go together…together


cintia thome




PULSA-ME


PULSA-ME



Sou o pavio interminável
A fibra que estanca o frio
Rebrota a saudade
Em sua retina
Que chora
Quente promessa
Gotas próximas
de amanhãs
Intermináveis...


cintia thome











DEJÁ VU


DEJÁ VU

Pássaros soltos, jovens
Rabiscam em inocente alegria
Céus com olhares azuis
Fazem almas pousarem no mesmo lugar
Num rio doce inda de frescos sonhos

Amam-se quentes em ninho
Mas os burburinhos os chamam
Desgrudam-se asas na incompreensão
Num rio marejado de seixos no caminho
Um vai ao sul, outro ao norte
Triste é a separação

Seguem em sois, chuvas
Tempestades da realidade
Em círculos caem sempre ao vazio
Crescem e em outonos padecem
Procuram-se pelas folhas de outonos
Pesadas dívidas de um amor partido
Acasos e descasos idos

Voltam à mesma cidade do primeiro encanto
Em abraços de tanta saudade
Voam apertados soltos do chão
Rodopiam em promessas e em perdão
Num rio marejado da certeza,
Sem pedras no caminho
Amam-se em dejá vu sofreguidão
Esquecem-se dos anos de solidão
Alçam céus tão mais maduros
Onde o sol brilha corações

Construções falidas devastam
Predadores da maldade, o destino insano
Corrompem o suave ninho de amor
E a águia possuída arranca, separa asas
Um pássaro carregado, o outro não voa não
Em ninho permanece em solidão
Poucas penas, sem braços, chora
Carrega tão pesado coração de amor
Dói mais uma vez desilusão

Em pleno dejá vu na cidade
Asfalto frio nas ruas sem direção
Sem norte ou sul
Uma certa morte
Anunciando último verão
Na janela a ausência cansa
Espera a leveza das folhas
Do próximo outono já vão
E as penas cairão
Em algum lugar

cintia thomé











Imagem: Fragmento Cíntia Thomé
Imagem: Pulsa-me NãoSouEuéaOutra - Portugal

25 de fev. de 2009

Do sempre que te quis...


No ralo das entranhas
Vão todas as lembranças
Da carne em fogo, o suor do amor
Arrepios no ventre ao teu toque lascivo
Tua mão, veludo de teus dedos
Em minha pétala maior
O cavalgar desabrochando a vontade
Do sempre que te quis
Nossos beijos, na ardência, apetecidos desejos
Da contemplação dos olhos em meus olhos
Embevecida em arfares teus tantos
Os momentos sublimes dos atos e desatados nós
Em movimento das amarras de peito ao peito
Dos gritos da volúpia, salivas da paixão
Do sempre que te quis
Assim tão sangue do teu sangue
O doce na ferida desse amor
Que ainda exalo, cheiro
Belisca minha pele, arde, bate dentro de mim
Sinto a felicidade, os teus risos
Vejo ainda estrelas,
Teus pelos serpenteando guizos
Do sempre que te quis
Tua mão na minha, toques de amor
Arrepios fremem, minhas mãos estremecem
Meus olhos distantes pedem os teus tão longe
Meus lábios mordidos ainda molhados têm sede
No ralo das entranhas
Vão todas as lembranças
Do sempre que te quis
Desse Amor Maior
Que ainda sinto tanto
Tanto!


Cíntia Thomé





















15/02/2009

15 de dez. de 2008

MAR AFETOS



Já está no tempo de você ficar comigo
Foi forte o castigo
E a vida me ensinou
Vaguei perdida pelos mares da saudade
Em meio tempestades
sem carinho, sem amor

E na solidão vi que amar é a razão
pra se viver...
E então..
Esquece e vem
Dividir o mesmo teto
eu tenho um mar de afetos
para banhar o seu prazer

Diz "sim" pra mim
Em nome da paixão
escuta o meu coração
Que ainda bate por você

Esquece e vem
Dividir o mesmo teto
eu tenho um mar de afetos
para banhar o seu prazer


Musica

26 de nov. de 2008

UNDERGROUND



UNDERGROUND

No beiral, a calha quente
Expulsa a última gota
A lágrima fria
A calculada,
mas sem nada
Límpida empurrada
Pela sujeira
Do homem
Que se protegia
Sem convite
Na única casa
A firmeza morada
Da mulher
Que calor só dava
Com riso
Sanava fome
Sem saber
De nada
E a chuva
Leva
A última
Enxurrada
Ao abismo
Underground
De querer muito
Do habitante
Aquele que
Era
O quase
Nada

Cíntia Thomé

NOV 2008


listen music


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