"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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23 de fev de 2011

senhor


Os sinos não dobrarão

Ah! Senhor não faça os sinos tocarem mais anunciando mais uma hora de um amigo perdido.
As estrelas fiquem em seus lugares, iluminem minha vida. Cansada de tirar meus anéis, minhas peles, minha proteção maior, o Amor... Não posso ter mais cruzes em meu peito, tantas já me fazem doer e doer...
Cansada de estar perdida entre tantas coisas, mas não me deixe perdida dentro de mim um amigo, sequer mais um! Minha estória se enche de pobreza quando um dedo de minha mão desaparece e deixa um vazio de riquezas. Senhor, os meus bens são o cultivo de muitos anos da minha gente, dos caminhos que atravessei sozinha e amigos colhi e de suas raízes comi...
Senhor, não quero ouvir hoje os sinos do meio-dia, os sinos do meio de mim. Os sinos não dobrarão mais!
Senhor, amigos distantes, desaparecidos, que assim seja talvez até sem notícias, mas vivos e alegres em mim... Prefiro essa paz, mas não amigos morrendo e me deixando meio-morta, meio-dia, meia-noite... com a face de seis horas...
Que as minhas mãos estejam nos meus ouvidos e nunca mais perdidas como um resto de pão e a morte acarinhando e apaziguando que a vida é assim, assim.... Senhor me dê sua mão e deixe que eu me iluda e regue meus amigos em cores vivas! Quero as horas em silêncio dentro de mim e a lembrança de festas, risos com meus queridos... e que os sinos não dobrem nem por mim e nem para meu último amigo...e que o Amor de ti sempre me console...sempre
Sua amiga, Senhor!


Cíntia Thomé










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@cíntiathome foto guaeca fev2011

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