"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





.

15 de nov de 2016

AVENTURANÇA










Por ventura dos dias
Na química das horas
O prazer de todos
os quereres
Na vida diminuida
Derrama a incrédula cinza
Sobre a vida que não coube na fotografia
Mas se fia nas flores
só flores


@ Cintia thome




..





...







....



.

5 de nov de 2016

DENTRO DA POESIA


 DENTRO DA POESIA

eu calma como ela
só alma
procuro
uma notícia

 eras a poesia!
ah poesia viva! Onde estás?
se nas minhas costas andavas
sorrateiro
humano?

 você me via e eu sentia
você sabia
sempre soube da
minha agonia
sim, sim, derramo palavras
um alento
no lamento

 mas e a notícia?
eras a poesia
como não achar
o nome, seu nome
aquele que amava pai
 irmã e pai de seu irmão?

 aquele que não faltava
nas igrejas, no juramento
dias e noites
luz e escuridão
na eucaristia?

 grite meu nome
como manchete de segunda-feira
na mão de Fátima
na cruz, no fel, no pão
Meu Deus, não!

pois grita meu coração
dentro da poesia
Filho!

Onde estás poesia?


18 de mar de 2016

OUTONO




Redobra a minha esperança
quando as folhas de meus olhos caem
depois das lágrimas de março
a certeza das flores mil
que seja um único fruto a colher na mão
multiplicando-se amor
suprema felicidade
seja ventura, seja bem aventurança
nao mais, nunca mais
outrora






Cintia Thome


................

12 de mar de 2016

ESPERTAR




'Manhã. Um despertar único no campo ou aos urbanóides, e eleva a alma, o que preciso compreender, a alma de tantos e a mim mesma. No descuido de um olhar há tanto tempo, anos, interfere de maneira trágica e mágica...e assim reencontros, talvez cósmicos, talvez banais, mas o princípio de luz, diminuta, queima devagar. Ainda faltava o beijo. Amor por amor.Assim átomos do amor, o 'átomo cardio', sem medir elementos materiais, a vida nua.
A palavra fica em silencio, o som do colher mel, uníssono, traduz a Vontade de ser feliz e sucumbe na união e deleite de todos os sentidos. Assim a poesia começa, alegre ou triste, mas nos encanta, canta e decanta. Porventura o toque, o momento. A escolha da flor com o meu olhar. A proposta. O sabor, o éter. As diferenças se estreitam, o desejo fica nos perfumes, nunca ímpar e ali colhemos emoções, em desdobramentos multifacetados, o estar, a vida, o pouso da felicidade até quando, descritas nos cânticos de Salomão, até quando? ...até quando voar.'


Cintia Thomé

Ilha Bela, 03/2016

pensamentos longínquos





.