"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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10 de mai de 2010

Cinzas de Céu




Cinzas de Céu


A saudade não escorre
seivas... Há de serem mofos
Na geladeira, no canto, canteiro
Fruta escondida por inteiro
Casca grossa estoura
Desenhada as folhas verdes
Desses meus olhos nublados
Resfriados na lembrança
da nossa fome
De sua pele, aquela que vi
Em cores de sorriso e sede
E deixei em mim amadurecendo
Num mundo cinzento de céu
E viver
até quando

Cíntia Thomé


Maio/2010


*Uma saudade sem resposta, mas com endereço que desconheço...








Imagem: @autoria e direitos autorais de Cíntia Thomé - Paris




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