"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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7 de mai de 2010

MÃE


Tela de Guilherme de Faria


MÃE


Não há o que dizer do meio
Dos caminhos do olho maior
Da Mãe, cuidado
E sim do início, sempiterno
O nascer da vida
A carne da carne
A continuação da existência
Terra, pele, chão
A palavra alva e delicada
Exalta a alegria no próprio seio
primeiro beijo do filho
Nos bicos dos seios
O afago, o êxtase, a paz
Fortifica o ventre e a boca
Espasmos de coração a coração
O ligare profundo
A raiz, a rama viçosa
O broto, rebrotar a palavra segura
O incondicional em sublimação
Mãos cheias invisíveis
ao olhar alheio, mas sentido
Sentimento, amor
Transmuta cálida
O sempre cheiro
Perfume sem fim
Mãe



cíntia thomé








Imagem: Tela de Guilherme de Faria , Artista Plástico - São Paulo

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