"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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2 de mar de 2010

SINAIS DO DIA...




SINAIS DO DIA


Raia o dia
Abre a saia grande estrela
Vejo azuis no espelho do mar
No céu que acalma esse andante
O transito é a onda, a turba
Que não perturba
É o mar...mar...as ruas
Mergulho entre os carros
Peixes grandes, pequenos
O sal cinza derrama...
Assim mesmo se ama, ama
Ama-se o dia sem agonia
Falam os postes vermelhos
De amor... Amor

Dentro de mim
Vou costurando lenços
panos, cortinas de chorar
Do ontem que já não é meu
Nem seu... passante...
foi como turbilhão, arranhão
total sua solidão
Voltou ao lugar do nunca
Comum, como mais um
Misturando-se, funil

Fecho botões desse frio
Esquento meu coração
Guardo os edifícios meus
Nas vielas, nas ruas de meu sangue
Tão meus e seus habitantes
Passantes nas janelas como eu
Sem saída

Os sinais vão abrir
Como flores nas árvores
Raiou mais um dia
Já é meio dia em mim
de quem sonha, sonha
Corre nas avenidas
Idas... idas...
Sem as curvas idas...

Lá se vão pessoas partidas
São as idas...idas
a terra dos formigueiros
andantes passageiros
Nas corridas das vidas
Do sinal do sinal
A verde liberdade das cidades
Verde mar...verde mar
Vão amar um dia...o dia...


Cíntia Thomé



Compreendi que :
Amor é tudo,
Que abarca os tempos e os lugares"
(Santa Terezinha)








Imagem : Google Tuca Vieira

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