"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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11 de jul. de 2009

ainda há pedras rolando



Ainda há pedras rolando
Faíscas, atritos
Minhas palavras são fogo
aquelas que gostavas
ainda sussuro,te chamo
aos ouvidos das conchas

Minha vida ainda é montanha
Caem pedaços
Mas aqui ainda de pé
Quando a chuva vem
Lavo-me e brilho branca em sal
Ao sol da tarde invernal

Faço sombra
Aos olhos fechados
Para o mar que me acompanha
Com ondas revoltas, contra
Ricocheteiam em mim
Criam úmido frescor,
alívio tanto

Revivo aos dias
Como a lenha que não se acaba
Ao meio das danças, festas
à febre de minha alma
à saudade tanta
aos atritos que te chamam
Aos meus pés que se esfregam
à procura dos teus

No meu pensamento
No meu topo
És o homem que me enfeitava
Quando prometias, juravas
Aos Deuses, além dos horizontes
Que iras me fazer feliz
Que ias te fazer feliz

E em minha boca
Ouvias todo sentimento
Lavas de todo amor
Escorriam de
Meu coração já ardente

Ainda sobrevivente
vivente
Por você todo tanto
Reluzindo, apagando
atrito quente
No meu meio
abandonado
Que não vês


cintia thome






Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer...
Luiz de Camões


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