"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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13 de dez de 2008

FLEUR FLEUR



FLEUR
FLEUR

Mergulhe na flor negra
Do ócio
notícia de ontem
Um canteiro
Cospe letras noturnas
Sabor noir
Desfolhe o que não sabe
Rasgue a minha blusa
Tem cheiro de amêndoas
Viço de hortelã
De chá das cinco
Amorteça assim
Lábios
E desejo

A pétala finge ser caule
As folhas
Da malícia
Abraçarão teus sentidos
Másculos, machos
E a flor desabrochará
Lilás
Névoa
fresca
de notícia


Cíntia Thomé



29/07/2008

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