"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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15 de nov de 2008

BENNYANA FLOR SELVAGEM




BENNYANA FLOR SELVAGEM

Ao mestre Poeta beat Benny Franklin

Ah! Homem de carne
Na sua ínfima pele
Escute, ouça o grito, o alerta
Daqueles que vieram, como eu,
A sorrir do desdém da vida,
Das escadarias de areia em quedas
Que guindaste usou na usurpação
Com a palavra do Olho,
Olhar tão próximo, mas, ao longe, já havia visto
O temor dos incompetentes, dos frangalhos,
Afagando carências
Dos andantes que pedem clemências.
Fogem, mas retornam, fogem e fogem
Chorosos mentirosos pecadores
Fracos nas couraças furadas e fétidas
Ah! Homem de carne...

Vens com logomarcas, selos,
marcas de nada, do acaso, amanhã fora de linha.
Pilotas esses carros de lata em rodas negras
Porque a coragem está nas rodas de fogo
Nas suas carruagens, carroças,
Querendo se aproximar de mim
Mas... pestaneja... Repele-me... Por quê?
Tens receio da vergonha
Da constatação que és triste espírito
De luta e labuta, e não partilhas pão e nada
E teus pés fincados com as unhas
do Diabo que te toma, roubando-te
Uma putrefacta possuidora,
Numa quase pena máxima sem valor
Ah! Homem de carne...

Pede socorro sorrateiramente
mas se assusta, desconfia, coalha
Sente saudade, mas na presença, falha!
Mas eu confio, creio.
Ah! Homem de carne...

Estrutura teu cérebro, tua cabeça
Com a minha mão meiga e grossa da verdade.
Ajoelha, e que doam teus ossos, mas pede perdão
Fica perto dos reencontros escritos, do eterno
Do Universo enigmático, mas certo.
Ah! Homem de carne...

Poetando eu te coloco em meu colo
Sei que te incomodas com o calor de mim
Com as lágrimas invisíveis de sangue e mel
Com meu beijo sincero, quase uma inocência
Tu te aproximas de mim...mas corres de mim
Julga-se são, mas neurótico insano
Porque não crês na boa palavra
Nem na mulher absoluta, a Flor
De pétalas que perfumam pulmões,
Que agasalha as montanhas
Onde os ímpios habitam, labaredas ferozes
Salvaguardando seu semelhante, seu Amor
Cuspindo sementes,
Que amarra, abraça, sustenta
Árvores decaídas, semimortas
Pois mulher desejo é de cedro
Não tomba, olha sempre Céus
A roda, a família...
Ah! Homem de carne...

Fraquejou com seus ossos plásticos
Porque quer o verde pardo da cédula,
E eu, só amo a sentença:
In God We Trust
Ah! Homem de carne...

E nas suas semelhanças
Quer ser moderno com objetos
Que amanhã serão escarros, lixo nos ralos e rios,
Gavetas estufadas gotejando suores alheios.
Resguarda tua pureza, eu peço, imploro!
Vim como leite de caule,
A seiva azul ao prisioneiro, ao refém
Mas tu mamas carne podre, vadia, prostituta...
Coitada, louca que será um dia judiada, apedrejada
Se assim já não é...
Ah! Homem de carne...

Engasgas quando me vês, talvez sintas inveja
Talvez pela grandeza selvagem que amedronta
Mete medo, admiração...
Mas incapaz não sorves, bebes ou mastigas
A Orquídea lubrificada de Amor
Ou o fruto de maracujá que sou
Porque adoras quem te bate, maltrata
Masoquismo tresloucado invisível
Maquiavel de teus 'ontens'
A vil, a pútrida
Maçã
Ah! Homem de carne...

Cuida de ti.

Cíntia Thomé


(Orquídea Selvagem Henry Ford)
15/11/2008 às 4:00hs

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