"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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1 de ago de 2011

PESCADORA DE MIM






O que faço?
Transgrido o ido
Faço da vida um coração translúcido
Das pupilas, minhas trilhas de amor...
Escorrem em veios d’água rompendo o chão
Procuro você...

Minhas passadas mágoas
Contas d’águas enchem o verde mar dos olhos
Da bruma espuma, nódoas da solidão.
Exploração sem covardia, embora tardia...
Arranco igarapés, perugos eremitas, enguias, cascalhos;
Do ferrolho de meu peito
Que faço?
Procuro você...

O sol a pino queima meus pés
Crema a envergonhada carne
O meu pensar em fogo
Ilumina e se faz guia
Não sei de quê? Do quê e para quê?
Que faço? Os rumos não mudam.
Procuro você...
Mergulhar no oceano
Arranco cidades perdidas da alma
Estrelas de luz... do mar...
Caravelas seculares desfeitas no tempo
Pescadora de mim mesma,
Húmus mudos...
Torrão da paixão que perdi...
Que destino! Cruel e desnudo
Que faço?
Procuro você...

Na ilha de minha cama,
Sou terra vivente, sobrevivente...
Verdades impostas e em postas
Navalha infiel sangrenta... estou em febre ardente
Ardo em sonhos e fantasias de dor
Que faço, amor?
Afogo tudo, tudo...
No copo d’água do criado mudo!
Procuro você...
Metade de mim...
Você me procura
Metade de mim...


CINTIA THOME






















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