"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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19 de ago de 2010

AREADO DO MAR



AREADO DO MAR


Corpo oceânico
Olhar de desejo
No espelho d’água
Na transparência de meu corpo oceânico
Minhas águas refletiam você
Pele vermelha na gota cristalina
Tua boca flutuava em minha saliva
Abri ondas, braços trêmulos.
Separei meus líquidos
Para tua invasão, mergulho...
Gruta em labaredas agridoces
Sais revoltos no amar
Coito de estrelas nas profundezas
Minha primeira arrebentação
Afundaste tua alma em mim,
Suores de amor flutuantes
Marolas... Marolas...
Calmaria.
Mar vermelho.

Cíntia Thomé

1997 (Livro: Olhos de Folha Minha)





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