"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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9 de jun. de 2010

ANTONIO POTEIRO UMA SAUDADE NAS ARTES


ANTONIO POTEIRO (1925-2010)





"Trata-se de um puro criador de imagens primitivas,
com o senso de humor e a sabedoria intuitiva
da composição e da cor”.
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Walmir Ayala



Quando o conheci, nos anos 80, o grande mestre POTEIRO, fiquei encantada com sua obra e carisma, uma docilidade, arte limpa em suas pinturas tão vivas de cores, em suas ceramicas retratando o homem e suas fantasias,crenças, seu cotidiano de maneira lírica, no campo, a vida simples e o folclore brasileiro.
E desde então, compreendi que o homem não tem preço e sim valor e Poteiro foi (pra mim) sem preço. Estou triste, morre um exemplo de vida e da arte, apesar que sabemos que a vida é um fio colorido...''

Cíntia Thomé






Antônio Batista de Souza, conhecido como Antônio Poteiro, nasceu em Santa Cristina da Pousa, Província do Minho, em Portugal, no dia 10 de outubro de 1925. É um escultor, pintor e ceramista que vive atualmente em Goiânia e é considerado um dos mestres da pintura primitiva no Brasil.


Nascido em Portugal, filho do ceramista português Américo Batista de Souza, veio para o Brasil quando criança. Morou sucessivamente em São Paulo e Minas Gerais, viveu um ano e meio na Ilha do Bananal entre os índios Carajás e, finalmente, radicou-se em Goiânia.

Antônio Poteiro é autodidata. Iniciou-se na vida artística como artesão, produzindo peças em cerâmica para o uso doméstico, máscaras e bonecos. Ganhando a vida como fabricante de cerâmica utilitária (de onde surgiu seu sobrenome “artístico” de Poteiro), aos poucos foi imprimindo qualidade artística a seus potes, orientado por Antonio de Melo e pela pintora e folclorista Regina Lacerda, passando a assinar as suas obras.
Depois de algum tempo, seus potes adquiriram condições de autênticas esculturas em cerâmica. De simples recipientes caseiros, seus trabalhos transformaram-se em objetos complexos e ornamentados, mostrando uma fantástica imaginação e excelente domínio da técnica.

Em 1972, já conhecido como ceramista, começou a pintar, incentivado por Siron Franco e Cleber Gouveia, transportando os elementos usados em suas peças de cerâmica para as telas, priorizando uma temática nascida do sonho e do pesadelo. Gradualmente passou a apresentar, em suas obras, motivos regionais e temas bíblicos.


Em 1978, lecionou cerâmica no Centro de Atividades do Sesc, no Rio de Janeiro. Dois anos depois, lecionou cerâmica nas Feiras Internacionais de Hannover e Düsseldorf, na Alemanha.

Dentre os artistas brasileiros, é um dos mais conhecidos e apreciados no exterior, em função do enorme número de exposições internacionais de que tem participado, pois vem realizando, desde 1976, exposições individuais e coletivas por todo o Brasil e por inúmeros países.
Participou duas vezes da Bienal de São Paulo (1981 e 1991) e realizou individuais no Brasil (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Porto Alegre, São Paulo, João Pessoa, etc.) e no exterior (Washington, Quito, Cuenca e Guayaquil).

Em 1985, recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA 1984) na categoria escultura. Em 1997, é homenageado com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, Brasil e, em 1999, recebeu a Medalha Gustavo Ritter, do Conselho Estadual de Cultura de Goiás.

As cerâmicas de Antônio Poteiro fazem parte do acervo de importantes Museus e coleções particulares. No Rio de Janeiro, podem ser encontradas na Casa do Pontal – Museu de Arte Popular Brasileira e o Museu do Folclore Edson Carneiro.
Antônio Poteiro, estranha figura de barbas longas como as de um profeta bíblico, leitor constante das Sagradas Escrituras e conhecedor da História, sob a aparência singela e o despojamento quase desleixado escondem-se um autêntico criador de formas, dotado de uma visão pessoal e que por isso mesmo soube dar corpo a um mundo de idéias que não se assemelha ao de nenhum outro artista.







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