"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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13 de mar de 2010

CAVALEIRO SEM CABEÇA



CAVALEIRO SEM CABEÇA



Ah! Cavaleiro, este perdido nas noites e tão apegado às paredes das raízes de meus cabelos, sem saber, a mim, só a mim vive. Este que alguém escolheu, não fui eu, talvez os cósmicos anéis, os soluços da Terra... A Terra do Éden... Fazendo o fogo queimar minha cama, nas viagens nas quais adormeço e nem sei as estórias paralelas, não lembro, mas acordo e chamo teu nome... porquê? Se não vens e parto sozinha a matar as horas de minha vida, encurtando cada vez mais o relógio e franzindo meu corpo sem tuas mãos em minhas mãos...Laço-te no pensamento, oníricamente, com nome próprio, Amor, mas sem cabeça. Pois teu olho é o meu, o mesmo, terceiro olho. A ironia do destino me fez presa fácil.
Tão fácil, és Caçador de mim...
E me lambe,degusta-me.
E me come a vida...



Cíntia Thomé







Imagem - Divulgação - Paula Valentina - Olhares

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