"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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7 de dez de 2009

PRÓXIMOS ANOS




PRÓXIMOS ANOS (Cíntia Thomé)

Diante dos destroços
Das latas, navalhas
facas enferrujadas que perfuraram
Minhas ilusões, os latrocínios
Dos cacos de percurso
Dos resquícios no rosto
Sem pintura, a lágrima vadia
Dos inícios e finais
Desastres e quebras
retrovisores das mágoas
Não ouço mais sirenes infernais
O socorro e promessas vãs
Afano os restos de mim
Agarro um pouco de sangue
Na palma de minha mão
Que ainda pulsa e pulsa
E corro a cem
Sem mais falhar relógios
Sem desvios torpes, sem sinais
Sem solavancos,
sem contramão
sem trato e contrato
Na beira da minha estrada
Do agora
Desato velhos atos
Sem quedas e escadas
Sem pontes e lado de lá
refaço meu coração, não páro mais
acerto dos ponteiros
na velocidade
Sem fim


cíntia thomé









Imagem: Gregory Valente

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