"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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1 de jul. de 2009

METAMORFOSE LENTA



METAMORFOSE LENTA
De Cintia Thome



Quando éramos apenas duas asas
Uno no desejo solar
E anunciavas em minha pele vermelha
O grito estremecido de meu nome
Minha pele envergonhada dizia:
Ainda não!
E meu olhar era um convite a bailar
Nossos corpos numa outra vez
Cumplicidade ancestral
Sua barba deslizava em meu rosto
Amor... Amor maior
Agora, em meu leito,
Levito, ou tenho asas?
Teus braços, meu casulo
E em minha metamorfose
Urgência em minha pele
Olhos em desespero jorram vida em sal,
Nos imaginários oceanos
O aroma não sobrepõe à palavra...
E ainda tímida, baixinho, digo o teu nome
E... Ainda não!

Ainda não!


CINTIA THOMÉ


Livro da Autora.



Imagem: Felipe Pereira - Olhares

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