"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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9 de abr. de 2009

REFRIGÉRIO



REFRIGÉRIO


Repousa tua mão
Sobre a minha água
Plácida e parada
Preciso do temperar da vida
Teus dedos misturando
Remexendo meu turvo rio
Retire as pedras, rochas de sal
Adoce e aqueça jogando anzóis de fogo
Migalhas do pão
Repousa tua mão
Sobre os veios já trêmulos
Olhe para mim e seja belo
Seja o meu Narciso
Sorva-me na concha de tuas mãos
Infinito azul de mim
Apague os faróis, meus olhos
Revolva-me, assim turbilhão
Seja nau em minha água
Navegue e ice a vela
Habite minhas cidades
Mergulhe no espelho d’água
No imergir banho em frescor
Arrefeço , refrigero tua alma
Solte tuas mãos, teus remos
Abraça-me
Encalhe!



Cíntia Thomé



Faz parte do livro da autora Cíntia Thomé
OLHOS DE FOLHA MINHA





"recolha de mim a gota d'água , o meu suor de amor e delírio para
o teu corpo-rio viver, correr, orvalhar cristalino..."
Cíntia Thomé

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