"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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17 de fev de 2008

PRENDA





PRENDA

Rasgue a linha do Equador
Não há dor
Há desejo, aquela vontade
Faça. Não fale
Tire minha roupa
papel de seda
Fumo, fumaça
Rompa o laço, a corda
Do gado, da presa, prenda
Enreda o caminho
Veja a única palavra
Leia-me. Nada
Mate tua fome
Sangre o dedo
no fio do trágico
Ame. Amasse-me.
Abrace-me, abra-me
Engula-me
A carne de açougue
Jogue minhas vestes
Pise no jornal, é normal
Meu nome sangrando
Nas navalhas
Na manchete
No chão de todos os homens
Escove os dentes

Cíntia Thomé
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