"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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14 de fev de 2008





DELEITE NO MAR

Andante e suas correntes
Embaraçantes e quentes...
Ardente sol na face
Atenuante sombra nas águas.
Caminhante errante nas areias
Desejos enredados no peito
Escuridão marcante no coração.
Ouvia-se o melodioso vento,
A ressaca!
Pingos espargindo
A pele em cascas
Suavizantes gotas
Refrescante deleite...
As gaivotas à espreita
Esvoaçantes asas
Deixavam por instantes
A criatura ser iluminada e contente.
Sonhos amarrados
Em barbatanas ardentes derretiam
E ela morria...
Não era Ícaro, nem anjo.
Talvez passarinho ferido.
Não, era somente...
Uma andante e suas correntes...
Cíntia Thomé
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