"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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5 de set de 2010

SIRON FRANCO EM SÃO PAULO EXPÕE ''SEGREDOS'


Siron Franco expõe Caixa Cultural Galeria Nacional Paulista
Vernissage 10 de setembro 2010 as 19 hs


Segredo

Segredo No. 01 (detalhe)

Segredo no. 21 (detalhe)


A série “Segredos” teve início com uma obra de 2001. Na tela recoberta de carvão são colados 17 Cd´s. O que eles contém, é um mistério, mas a composição recria a chave magnética do quarto de hotel em que o artista ficou hospedado na Venezuela. O ouro revela imagens enigmáticas e essa obra, “O Primeiro Segredo”, foi chave de abertura para a exposição abrindo o novo caminho ainda não descoberto.

O processo criativo do artista vem dos inúmeros acasos diários. Desde sua última exposição, Siron dizia: “Estou sentindo que vem algo novo em minha obra...”. Mas ficava obscuro, inclusive para ele, o que viria a seguir. Já em 2007, na mostra no CCBB do Rio de Janeiro, apresentou a tela “Segredos” (160 x 200 cm), óleo sobre tela produzida em 2005/2006. Mas quais as rotas a serem seguidas, então somente sugeridas por aqueles caminhos horizontais?

Nesse percurso, um universo enigmático se abriu para o artista. As consequências do desenvolvimento do trabalho, ficaram expressas nas palavras de Charles Cosac, em uma carta ao amigo:

Esse seu figurativismo expressivo intrica-se também com o tempo. A gente sabe que tem algo ou alguém a nos olhar, mas cada vez fica menos evidente. Esses olhares velados pelo excesso de terebintina diluída na tinta á óleo, sobretudo contrastados com as obras empastadas, é de uma sofisticação impar. São muito delicados. Faz-me pensar no momento em que a densidade do óleo cede à imagem que nem você ainda a conhece, mesmo estando prestes a concebê-la. Faz-me também pensar nas pinturas, sobretudo nas texturas dos anos 1970, quando ainda pintava sobre aglomerado e com o óleo ralo. As atuais, porém, evocam a sensação de transparência e leveza. O volume dos anos 1970 não mais te preocupa.”
Segredo No. 14
Segredo No. 12
Segredo No. 10


A exposição
Na primeira obra criada para a exposição, “Segredo número 3”, estão esses novos volumes. As linhas horizontais de antes, agora verticais, compõem uma obra onde os segredos são desvendados. Basta prestar atenção nos detalhes. A série completa, que merece o nome “Segredos”, apresenta quinze pinturas, entre obras horizontais e verticais, medindo 150 x 200 cm, e mais dois quadros de 1,80 x 1,90 cm. O segredo pode ser percebido tanto na composição como na pesquisa de materiais que impregnam as telas onde, além de ouro, chumbo e tecelagem africana são colocados carimbos da anatomia humana de borracha e carimbos de silicone

Os segredos sugeridos nas telas ganham volume nas esculturas. Um fato autobiográfico é o impulso inicial da obra “Segredo número 21”, uma fogueira produzida em mármore sintético. A escultura, de 250 cm, impressiona pelos detalhes: imagens do repertório popular católico incrustadas em suas vigas horizontais. A investigação de Cláudia Ahimsa, curadora da exposição, expõe o background do artista:

“Ele percebe minha investigação silenciosa sobre o `mármore` cruzado e conta: "Minha mãe andava sobre brasas, depois a sola dos pés estava fria!...". Então, a branca fogueira é o retrato que ainda não fizera de sua mãe.

Mais quatro esculturas compõem a série. O ideograma chinês recortado a laser em chapa de aço, para nós ocidentais, que utilizamos o alfabeto fonético, tem um significado misterioso. As formas são reorganizadas, abrindo-se plasticamente para outras mil possibilidades de leitura. Secreto também é o conteúdo da mala de ferro maciço, de 800 kg.

A obra “Segredo número 23” é composta de uma base de aço. A imagem em ferro cromado só se completa com seu próprio reflexo vislumbrado no óleo diesel queimado. Sagrada, numa primeira leitura, a imagem é, na verdade, o recorte da gilette, elemento do cotidiano. A obra que completa a série é um labirinto formado por duas esculturas de 250 cm de altura, formadas pelo empilhamento de 10 cruzes cujas junções derramam graxa.

Segredo No. 23


Exposição Siron Franco - Segredos - Pinturas Esculturas
Abertura para convidados e imprensa: dia 10/09 as 19hs
Datas: de 11 de setembro a 17 de outubro de 2010
Horário de visitação: terça-feira a sábado, das 9h às 21h e domingos e feriados, das 10h às 21h.
Local: CAIXA CULTURAL São Paulo - Galeria Vitrine da Paulista - Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2083 - Cerqueira César, São Paulo (SP) - Metrô Consolação

Acesso para pessoas com necessidades especiais
Entrada: franca
Recomendação etária: livre


Fotos: Google.

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