"A profundeza abissal da palavra declamada
ecoa nítida na linguagem abstrata
das mãos (gestos prontos),
e o atrito dos dias confunde as cicatrizes do tempo,
derramado sobre a mesa o poema
ignora nas pálpebras o pesadelo do sonho"

(Júlio Rodrigues Correia)





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27 de jun de 2008

MEMÓRIA




Se eu tivesse a cabeça cheia de flores
Um pouco de terra úmida
Um rio que leva uma flor
Um mar de peixes e conchas
Eu poderia agradar mais o poema
E ele saberia que sei o que é Amor
Mas faz tanto tempo
Que as pontas dos lápis estão no fim
Mas assim mesmo insisto
Em dizer que tenho uma linda cabeça
Deixando muita gente voar
Na minha falta de memória
Colocando três pontinhos...
Reticências que fazem navegar
Como se eu tivesse uma cabeça cheia de flores
E um barquinho sendo levado pelo mar...
E eu pudesse ainda sonhar...
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Cíntia Thomé

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